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Se a guerra fosse santa

um ensaio por Moisés Morais



Se a guerra fosse santa, recrutaríamos pacifistas em seitas satanistas. Ficaríamos satisfeitos com a interpretação dos “analistas internacionais” que veem a guerra como uma luta entre o bem e o mal. Se a guerra fosse santa, o mundo estaria purificado, gloriosamente santificado, na mesma proporção dos lucros da indústria bélica.

Mas a guerra não é e nunca foi santa. Ela surge a partir da concorrência de grandes interesses econômicos. A guerra é provocada pelos ricos, mas quem sofre as piores consequências é a população trabalhadora. O que está acontecendo na Ucrânia exibe mais uma vez essa questão.

Enquanto isso, discursos antiguerra são pronunciados em conferências na ONU, por pessoas que estão sãs e salvas, sem risco de sofrer um arranhão. Se tivessem o mesmo esmero com que alinham as suas gravatas iriam ao cerne do problema e desmontariam as causas que provocaram a contenda entre os governos russo e ucraniano.

Mas não, eles são parcimoniosos, pois sabem que um acordo de paz só será celebrado, quando outra guerra estiver prestes a explodir.


Moisés Morais é Historiador e Professor.

Mestre em História pela UNEB.


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