• Armazém na Estrada

Papas, nunca Marias.

por Maria Amélia Trindade

poema publicado na antologia

'Sala de espelhos : poetas e poemas'.

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Vem que Maria espera,

Maria diz sempre, sim,

sempre amém, Maria diz,

não nega negar-se a si mesma.

Vem que Maria perdoa,

é mãe de alma boa.

Sabe tão bem se doar,

se doa constantemente.

Maria cuida, é caridosa,

atende a todos

sempre, e sempre,

não discrimina ninguém.

Lá vai Maria, vai...

lá vai ajudar alguém,

sem importar a quem.

Maria é boa, é caridosa,

se doa como ninguém.

Se doa sem querer troco,

não pede, nada em troca.

Mas, hoje, Maria dói,

chora tanto, e tanto chora,

sofre muito, suporta demais,

padece como ninguém.

Para consolar Maria,

nenhuma pessoa vai.

Ingratidão é tortura,

que agora Maria atura,

e conhece muito bem,

é dor de roer a alma,

adoece o corpo também,

devasta, e queima por dentro.

Amável Maria, é bondosa,

carinhosa mater, mulher,

é mártir que sofre só.

Sacerdotes com isso

concordam,

sofrer é ofício dela.

O que jamais Papas sentiram,

martírio jamais conheceram.

Homens são Papas, jamais mulheres,

misógina inquisição

inventaram.

Homens Papas, sem Marias,

mulheres que renegam, e queimam.

Papas sem Marias, pedófilos,

Metades humanas, infecundas,

eles são,

homens estéreis, sombrios.

Papas nunca mulheres,

metades gente,

maridos abdicados.

Papas,

jamais papais.

Marias mães debeladas,

escravas de suas dores,


submissas às suas igrejas.


Maria Amélia Trindade é Escritora e poetisa.

É publicitária, humanista e espiritualista.

Publicou sete livros sendo 5 de poesias,

1 romance e 1 de livro de ensaios filosóficos.

Licenciada em Filosofia com especializações em marketing Político,

Redação Publicitária e Oficial e Formação Política.


Antologia poetica Sala de Espelhos - poetas e poemas. (org. Chris Resplande)


Nela, mestres consagrados como Lêda Selma, Luiz de Aquino, Maria Helena Chein, Edival Lourenço, Sônia Elizabeth e Hélverton Baiano, autores que criam poesia sofisticada, lírica, dramática, romântica, cínica, provocativa, eventualmente irônica, estão reunidos neste livro a jovens talentosos como José M. Umbelino Filho, Kamilly Barros, Rafa Blat e muitos outros. Ao todo são 30 autores, não só de Goiás, mas de diversas partes do Brasil. Poetas que não cabem nas fronteiras de seus municípios, estados e país. Dialogam com o mundo e a internet favoreceu tal diálogo. Essa coletânea é fruto de um projeto que previu encontros entre autores via lives, onde apresentaram e comentaram seus trabalhos, agora reunidos em uma só iniciativa cultural.


A responsável por promover essa reunião poética foi a escritora, socióloga e advogada Chris Resplande, ela mesma uma das trinta vozes poéticas que povoam essas páginas. Se é verdade que nomes são destino, Chris Resplande carrega muita responsabilidade, sobretudo a partir do momento em que decidiu resplandecer por meio da literatura. Mais ainda, quando decidiu trazer consigo outras luzes. Afinal, quem escreve, mesmo que não reconheça imediatamente, escreve para brilhar, para resplandecer. Esse brilho pode ser um brilho humilde, pode ser um brilho pretencioso, pode ser um brilho evocativo, mas sempre será um brilho que derrama.


Ademir Luiz, Presidente da UBE Seção Goiás


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