• Armazém na Estrada

Pandemia

Atualizado: Mar 12

por Peilton Sena


Quem ia já não foi, ficou

O tempo parou na porta de casa

Do portão para dentro ficamos

Presos em nossas gaiolas de concreto e aço

Forças ocultas, susto, destino?

Não, surto generalizado

Cada um em seu quadrado

Dentro do medo de ser contaminado

Cadê a algazarra dos meninos?

Cadê o bêbado e o afinador de facas?

Cadê as crianças brincando nas praças?

Cadê o entregador de pão, o vendedor de ovos?

Cadê o casal de idosos sentado no banco?

Cadê a tarde toda prosa? Cadê, cadê?... Cadê todo mundo?

Fronteiras fechadas, ruas vazias, praias desertas...

Fez-se distante o aconchego dos braços

Desfez-se o laço e no vazio do espaço

A saudade invadiu nossas salas

Subiu nas paredes, se instalou na memória

A vida fez pausa, o vírus foi a causa

O silêncio do silêncio incomoda, faz barulho

Ficou escuro no claro do dia

De repente sem aviso, tudo mudou

O mundo girou mais lento, sobraram assentos

No ônibus, no restaurante, no metrô...

A máscara dividiu o rosto em duas partes

Da metade para cima os olhos nem sempre presentes

Da metade para baixo o sorriso escondido, ausente

E foi assim tão de repente, apressadamente

Que um ser microscópico virou de cabeça para baixo a vida da gente


Peilton Sena, o Poetamigo, é poeta, escritor e palestrante.


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