• Armazém na Estrada

O povo

Atualizado: Mar 12

por Valter Moraes



O povo ainda dorme sem sentir a fome.

Sem enxergar as mazelas de uma sociedade podre.

Sem olhar para seus algozes travestidos de aparências mil.

Sem decidir por si mesmo seu futuro.

Já estão familiarizados com a miséria...


O povo vive como lagoa,

parado no tempo,

sem força para se transformar em rio e enfrentar o mar,

Aprisionado no submundo da existência, negando a si mesmo a liberdade.

Mas cada um é o que é

somente quando desperta para a realidade

e voa para enfrentar as adversidades.


O povo é gente que geme sua dor humana, seres da terra que o cria e ele alimenta a terra com seu labor.


A terra alimenta os seres da terra, tornando-os vivos.


E a terra chora, a terra geme as maldades dos seres pequenos, toscos e a terra escura de sangue chora de tristeza e dor.


Chora as perversidades da sociedade obscura e cínica, criada nos pedestais da exploração, estampadas nas estátuas simbolizando os heróis da estupidez dos homens.


O povo paga pela inércia, pelo medo, pela omissão, pelo comodismo, pelo individualismo.


O povo elege seus algozes, seus inimigos de classe.

E o povo não acorda do pesadelo que ele mesmo constrói, submisso aos ditames dos saqueadores dos seus direitos.


O povo paga pela sua própria dor.


Valter Moraes é poeta, filósofo e comunista.

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