• Armazém na Estrada

O depoimento do Velho Azul

Atualizado: Mar 12

por Lodônio de Poiri



Era uma tarde calma, porém insana;

e o prestigioso Velho Azul

Era uma das poucas pessoas no largo.


Epopeias periféricas,

imaculadas devoções,

assombrosas inquietações:

um prestigioso garante o seu valor.

Então, ele foi lá e disse:


Jamais direi

a culpa recai

na moqueca de Sururu com Jiló

Jamais direi


Naquela esquina

não estava eu

durante a vossa obsessiva

ocorrência trágica.

Naquela cadeira,

sentado eu bebia

lento aqueles goles:

E poderia perceber todos

os ciscos do universo -

Exceto os fatos daquela esquina.


Entenda, havia um poema.


Alguma dezena de versos

eclode mais toxinas n’alma

do que centenas de páginas

ou vidas mofas

entre úmidas ambições.


Entenda, havia um poema.


E eu vivo como quem

reconvida reconvida reconvida

a roda de capoeira

aos acordes do samba.


E o que posso afirmar é:

Não foi culpa da moqueca

de Sururu com Jiló

solta solta Sururu

liberta Jiló


Lodônio de Poiri é poeta e escritor. Um epicurista anarquista e vice-versa

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