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Lavanda rima com amor...

uma crônica por Ana Paula Del Padre


A lavanda não suporta excesso de água. Por isso, para o cultivo, os terrenos devem ser bem drenados. Assim é o amor. Prefere risos, leveza e alegria, às lágrimas que encharcam. Como são belos os lavandários. Enchem os olhos de admiração. Inebriam. Fascinam. Encantam. Assim é apreciar o amor. Deixa as pupilas saltitantes. Alimenta, nutre, inspira. Para se extrair uma pequena amostra da mais pura essência de lavanda, são necessárias centenas de quilos da flor. Assim é também com o nobre sentimento. É feito de tantas coisas que o formam. Um tanto de muitos ingredientes são necessários para a rara essência do amor acontecer. A lavanda cresce de forma relativamente lenta, pode até florescer de início, mas a floração é mais rica nos períodos seguintes. O amor também expande com o tempo, mas não falo desse tempo cronológico que nada conta. Falo de um tempo específico, de um calendário próprio para assuntos que envolvem corpo, alma, mente e tudo mais que o pacote do amor engloba. Nessa contagem, dias, meses, anos, nada valem. O que conta é a intimidade, cumplicidade, química e alquimia, muitas vezes inexplicáveis no tempo normal dos homens. A lavanda exala um perfume forte, marcante, mas não é como as outras, não basta se aproximar e respirar para sentir o perfume. É necessário ir além, avançar mais. A lavanda demanda um contato maior, um toque a mais, um atrito com certa intensidade nas pontas dos dedos. Aí sim, o perfume vem. Envolve. Perdura. Impregna. Desconheço um aroma que se assemelhe mais ao amor. É por isso que, na minha poesia, lavanda rima com amor. Se a combinação não for tão boa, é só lembrar que ela é a púrpura flor, então a rima acontece.


Ana Paula Del Padre

Copywriter, escritora e poeta

Perfil Instagram: @palavrasquebrotam/

Bacharel em Administração de Empresas e Comércio Exterior

Participou de 11 antologias

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