• Armazém na Estrada

Distopia

por Valter Moraes



Tiraram a lua do homem

e fugiram com as estrelas para nunca mais voltarem.

Roubaram o sol, o sol de tristeza arrefeceu.


Levaram também as nuvens, as nuvens não tinham mais lágrimas para chorar.


Já não temos mais o arco-íris, nem as chuvas e nunca mais ouviremos os trovões com seus raios a clarearem o céu.


Mas também não temos mais céu; não temos mais mar; nem rios, nem verde, nem os coloridos das flores e nem os pássaros a cantar.


Deixaram o homem na escuridão, preso à sua decadência intelectual.


Deixaram o homem nas correntes da solidão.


Destruíram a ética, a moral, destruíram a estima da humanidade nos cabarés institucionais, criaram as ilusões das culturas, das religiões, fizeram de tudo carnavais mercadológicos, prostituíram a cognitividade na essência e natureza.


Dignidade, respeito, solidariedade, consciência de classes, onde andais? No solipsismo do capital.



Valter Moraes é poeta, filósofo e comunista.

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