• Armazém na Estrada

Academia Sem Letras

um ensaio por Achel Tinoco


Não querendo ser chato, mas já o sendo, nem jamais invejoso, porque não tenho inveja de ninguém, fico imensamente feliz e orgulhoso quando alguém se destaca, seja em qual área seja. Mas de uns tempos para cá, uma classe me parece que está sendo diminuída, ou esquecida, ou desprestigiada mesmo: dos Escritores. Escritores. Sim, aqueles que escrevem textos, que fazem literatura, que sonham com o Olimpo. Não faz muito, deram o Nobel de Literatura para o cantor Bob Dylan, que até se recusou a ir receber o prêmio pessoalmente, desdenhou, depositasse em sua conta dele. Outro dia, a atriz Fernanda Montenegro foi elevada à imortalidade da Academia Brasileira de Letras. Dizem as más línguas que foi pela quantidade de cartas que escreveu na Central do Brasil. Vá lá saber! E cá entre nós, Maria Betânia acaba de ser erguida ao Panteon da Academia de Letras da Bahia. Não estou pondo aqui em dúvida a grandeza de suas artes, o talento, o merecimento. Pergunto-me apenas se não temos um escritor em todo este país merecedor de tais honrarias? Que tenha uma obra minimamente aceitável?

Será que eu vou ganhar o prêmio Grammy de música algum dia, mesmo sem conhecer uma nota? Será que vou ganhar o prêmio Puskas pelo gol mais bonito que não fiz? Será que vou ganhar o Oscar pelo filme em que não atuei? Sei não! Acredito que os autores, aqueles que o merecem, precisam de algum reconhecimento para que se desenvolvam mais, se animem mais, produzam mais, caso contrário teremos uma debandada de grandes artistas das letras (Laurentino Gomes, Miguel Sanches Neto, Florisvaldo Mattos, Oleone Fontes, Antônio Brasileiro, Armando Avena, Ruy Espinheira Filho, e tantos e tantos outros) para a música, para o futebol, para o teatro.

Da minha parte, volto à insignificância do que escrevo, do que produzo, do que desejo, porque não sei cantar com a beleza melódica de Maria Betânia, muito menos consigo, hoje, marcar os gols de Picolé, menos ainda atuar tão grandemente como Fernanda Montenegro.

Não, não, não tenho pretensões de ser Imortal, só queria lhes mostrar como é a minha pena, a minha pena, a minha pena!...


Achel Tinoco é poeta e escritor.

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