• Armazém na Estrada

Sabiás redivivas no campanário

Atualizado: Mar 12

Lodônio de Poiri

Como quem vai à Missa,

levanta em mais um domingo.

Alcança o primeiro vestido nos cabides;

com os acordes da lingerie confortável.

Sem maquiagem.

Belos lábios despidos do batom.

Jóias, anéis, colares e brincos:

nenhum diapasão ajusta sua beleza.

Nos pulsos,

uma sacolinha com frutas.

Nos tímpanos,

um par de fones na frequência.

Deslizando até o shopping center…

Vitrines, vitrines, vitrines.

És um passarinho a voar

dentre mirabolante engenharia.

Vitrines, vitrines, vitrines.

Chilreando felicidades alheias

às ofertas: pousa na livraria.

Como quem profere sermão dominical,

pergunta em mais uma semana:

"Por que não há biblioteca no shopping center?!"

Depois da leitura,

às vezes,

a compra d'algum livro.

No retorno,

os lábios sem batom

assoviam

as pulsões dos fones nos tímpanos.

Quantos refrães

são necessários

para explicar uma vida?


Lodônio de Poiri é poeta e escritor. Um epicurista anarquista e vice-versa

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