• Armazém na Estrada

Penélope

por José M. Umbelino Filho

poema publicado na antologia

'Sala de espelhos : poetas e poemas'.

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também pensei que a vida fosse assim

uma odisseia

e eu, um ulisses, para que pudesse, sozinho

vencer o mar e as pedras – trançar o destino ao punho,

o olhar em riste – e matar ciclopes e beijar calipsos

para ouvir, tão forte, o trovoar do abismo, sem nunca esmorecer.

porque havia um porto a que voltar, havia a meta prateada.

mas eia! eia!

estou encharcado de espera, e toda nuvem a que me lanço

não passa do prenúncio do barco que ainda vai chegar

e, no fim, acertei a história, mas errei de périplo:

a vida é mesmo uma odisseia. só não há ulisses.

nunca houve ulisses; e nós, os homens,

nós, os homens, somos todos penélopes.


José M. Umbelino Filho, de Goiânia, é jornalista, poeta e escritor.

Membro da União Brasileira de Escritores – Seção Goiás.

Vencedor da Bolsa Hugo de Carvalho Ramos (2016).

Possui três livros de poemas publicados e alguns contos em coletâneas.

Antologia poetica Sala de Espelhos - poetas e poemas. (org. Chris Resplande)


Nela, mestres consagrados como Lêda Selma, Luiz de Aquino, Maria Helena Chein, Edival Lourenço, Sônia Elizabeth e Hélverton Baiano, autores que criam poesia sofisticada, lírica, dramática, romântica, cínica, provocativa, eventualmente irônica, estão reunidos neste livro a jovens talentosos como José M. Umbelino Filho, Kamilly Barros, Rafa Blat e muitos outros. Ao todo são 30 autores, não só de Goiás, mas de diversas partes do Brasil. Poetas que não cabem nas fronteiras de seus municípios, estados e país. Dialogam com o mundo e a internet favoreceu tal diálogo. Essa coletânea é fruto de um projeto que previu encontros entre autores via lives, onde apresentaram e comentaram seus trabalhos, agora reunidos em uma só iniciativa cultural.


A responsável por promover essa reunião poética foi a escritora, socióloga e advogada Chris Resplande, ela mesma uma das trinta vozes poéticas que povoam essas páginas. Se é verdade que nomes são destino, Chris Resplande carrega muita responsabilidade, sobretudo a partir do momento em que decidiu resplandecer por meio da literatura. Mais ainda, quando decidiu trazer consigo outras luzes. Afinal, quem escreve, mesmo que não reconheça imediatamente, escreve para brilhar, para resplandecer. Esse brilho pode ser um brilho humilde, pode ser um brilho pretencioso, pode ser um brilho evocativo, mas sempre será um brilho que derrama.


Ademir Luiz, Presidente da UBE Seção Goiás


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