• Armazém na Estrada

GENESIS 4 (ou De como são forjados Paradigmas)

Atualizado: 11 de dez. de 2021

um poema por Lodônio de Poiri


Eram frutas saborosas como luzes no céu:

as maçãs nórdicas e as mangas tropicais;

as uvas mediterrâneas e os desérticos umbus.

Mas não gotejavam néctar do fogo, ó Abel!


Eram frutos e legumes com o som das águas.

O aroma das jacas e beterrabas num carrossel

tripulado por cenouras, tomates e ingás.

Mera ciranda sem dores e gemidos, ó Abel!


Discórdia!

Desordem e caos!

Não há sabor de sangue no teu mel...


Sacrifícios jubilam paraísos, ó Caim!

Com a gordura das vidas, ornados são os altares.


Eram frutos tão saborosos, ó Abel!

Tão atraentes quanto palestinas paredes

trilhas serão para tanques proféticos.

Mas a paz exala odores vegetais?!


Desastre!

Destruição e caos!

O exército de praguejantes profecias vem aí...


Corre, palestino, corre!...

Nenhuma alegria será hematófaga, ó Abel!


Angústia no céu de vosso deus

Angústia no céu de vosso deus

Angústia no céu de vosso deus

Angústia no céu!


Lamentos não vos libertarão.



Lodônio de Poiri é poeta e escritor.

Um epicurista anarquista e vice-versa

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